Quem não passa por este dilema?

Se você esta aqui, é porque certamente já passou por este tipo de questionamento ou conhece alguém que já.

Desde minha primeira filha há quase 12 anos atrás este é um assunto que permeia meus pensamentos, como voltar ao trabalho depois de ser mãe?

Na minha primeira filha, fiquei 6 meses de licença maternidade, 4 meses de licença mais 1 mês de férias, mais horas extras … 6 meses no total, em 4 meses estava totalmente desesperada … a sorte é que na época meu ex-marido tinha flexibilidade e conseguimos conciliar os cuidados com a Maria Fernanda, ele ficava com ela de manhã enquanto eu trabalhava minhas 6 horas diárias e depois eu o rendia para ele poder trabalhar.

Eu tinha uma vida bastante ativa, trabalhava relativamente perto de casa e na mesma empresa que eu amava há uns 2 anos onde minha rotina estava mais que estabelecida, fazia pós graduação em uma Universidade pública e estágio.

Quando fiquei em casa de licença, foi uma quebra grande na minha rotina e por vezes sentia falta da minha vida ativa.

Embora aquela nova vida fosse muito ativa também, porque a cuidar de um bebé o que não falta é atividade, mas não é a mesma coisa. As vezes me faltava as conversas com as pessoas de fora, sair de casa todos os dias, ter responsabilidades fora as do lar e com o bebê …

Por isso quando chegou a altura de voltar para o trabalho, apesar das ansiedades eu gostei. Estava contente e tinha saudades.

Embora sentisse aquela tristeza por não estar com o minha filha, sentia que o trabalho me fazia falta, o minha filha ia ficar bem com o pai. Portanto apesar de meu breve retorno ás atividades, a situação era bem confortável.

Durante um tempo estava bem. Até que a alegria começou a diminuir, comecei a sentir falta dela, comecei a ficar cansada…

Me separei do meu marido minha filha tinha menos de 2 anos e sabia que aquela rotina não era a ideal, mas eu não tinha outra opção. Ela foi para a escolinha e ficava lá por 6-8 horas por dia.

Eu tinha uma sensação que não era aquilo que eu queria, mas eu não tinha coragem de fazer diferente… a maioria das pessoas de meu convívio viviam assim e aquilo de certa forma era reconfortante.

No meu segundo filhote, quase 4 anos depois, a situação foi bem diferente.

Meu esposo trabalhava muito e não existia a possibilidade de dividirmos os cuidados com o bebê, minha menina já tinha quase 5 anos e eu não estava feliz com aquela rotina, mas ainda não sabia o que fazer. Até aí nunca me tinha imaginado mãe em tempo inteiro, mas nessa altura comecei a imaginar, grávida de 6 -7 meses comecei a pensar nisso e na minha cabeça tudo começou a se desenhar, uma vida totalmente diferente daquela que algum dia tinha imaginado para mim.

Passado alguns meses tomei uma difícil decisão: deixar o meu trabalho e ficar com os meus filhos. Me tornei mãe em tempo integral.

Uauu!! Que difícil!

Na verdade a gente sempre acha que o “jardim do vizinho é mais verde que o nosso”, mas não foi tão fácil quanto eu pensei que seria!

Fiquei quase um ano sem trabalhar fora de casa e depois deste tempo decidi voltar a trabalhar part-time e em esquema home-office, achei que este poderia ser o equilíbrio que eu queria entre meu lado pessoal e familiarisso, isso faz 7 anos e para mim essa foi uma decisão acertada.

Tenho um respeito desmedido por mães que trabalham o dia inteiro e têm filhos, só quem passa por isso sabe como é. Mas, também tenho uma admiração sem tamanho pelas mães que decidem cuidar de seus filhos em tempo integral!

Para mim, o fato de estar em casa cuidando dos meus filhos não me impediu de desenvolver uma atividade profissional e acho, sinceramente, que se você tem essa vontade é totalmente possível!

Algumas coisas tem que ser analisadas antes que você inicie uma atividade em sua casa temos que pensar bem antes de forma racional e prática.

Na família contemporânea, a maioria de pais e mães trabalham para garantir sustento para a família e para manter uma boa autoestima, mas os bebês precisam muito de suas mães, eles precisam de tempo quase integral da presença materna. Os quatro meses de licença maternidade, na minha opinião não são suficientes para os importantes cuidados maternais, não são mesmo!

Enfim, é importante racionalizar. Temos que pensar o que é melhor para a nossa família e nossos filhos e não simplesmente ir tocando a vida de forma automática e inconsequente.

Existe um texto lindo e clássico sobre este dilema no blog The Healty Doctor, da americana Carolyn, médica e mãe de dois filhos, (acesse o texto original aqui e se você quiser ler em português tem aqui também) este texto é na verdade uma carta da mãe que trabalha fora para a mãe que cuida de seu filho em casa integralmente e vice-versa, é um texto clássico sobre este assunto e muito lindo, vale á pena conferir.

Para finalizar o que quero deixar de mensagem é: não se sinta sozinha!

Que bom que você pensa, analisa, calcula os riscos… isso é ser pensante, inteligente e fico orgulhosa que você esteja aqui conosco.

Análises, etc e tal!